quinta-feira, 27 de junho de 2019

Um convite a mudar de ritmo / An invitation to change pace

Informação especial: meus textos, a partir de agora, serão todos em inglês e português! Versão em inglês feita em partes com ajuda do tradutor, por motivos de agilidade hahaha.

Special information: my texts, from now on, will all be in English and Portuguese! English versions will be written with the help of the translator, for reasons of agility hahaha.

Eu amo viajar. Amo o som das rodinhas das malas no chão, o coração batendo mais forte e o agito das estaçōes ou aeroportos. Esse último ponto, porém, fez-me pensar há algum tempo e tornou-me mais observadora: em uma estação de trem, por exemplo, é muito claro o ritmo em que vivemos. Todos andam apressados, a passos largos, e parecem constantemente atrasados - mesmo que não estejam. Celulares nas mãos, fones nos ouvidos. A existência dos outros é totalmente ignorada - a não ser a das pessoas que andam devagar na sua frente. O tempo máximo de parada nesse ritmo louco é apenas o suficiente para comprar um copo de café. O mundo se torna um borrão enquanto você anda rapidamente no meio do agito, isolado na sua bolha com a música alta nos ouvidos, a mão segurando firmemente a mala e a sua cabeça em outro lugar - os problemas do trabalho, as coisas por fazer em casa ou as compras do mercado, talvez.

Eu não me excluo desse grupo de pessoas: parece que o mundo nos deixou assim, e esse é o ritmo natural das coisas. Até que percebi que esse também é o ritmo errado de viver. Comecei a admirar os casais que param no meio do agito para um último abraço. Comecei a reparar no cenário à minha volta e a parar com mais calma para comprar um café - ninguém morre de sorrir para o atendente e desejar um bom dia de volta. Comecei a seguir o exemplo da minha mãe e parar para tirar fotos de flores, mesmo que eu esteja na correria da faculdade. Também diminui a quantidade de fotos quando estou em um lugar ou evento legal para aproveitar - o que vale de verdade é a experiência, e as fotos do celular nunca ficarão tão boas como a realidade mesmo, né?
Aprender a viver mais devagar e mais intensamente é uma experiência muito legal, e às vezes muito difícil também: sempre tem o risco de as pessoas te acharem trouxa. Mas eu não ligo, porque sempre achei essa definição errada. Aliás, fiquei indignada quando ser uma pessoa autêntica virou sinônimo de ser trouxa.

Ser honesto e devolver troco errado? Ô, trouxa! Era vantagem ficar com troco a mais...
Ser compreensivo e perdoar alguém? Tá louco, mano! Isso aí foi imperdoável, tem mesmo é que se vingar...
Ser amoroso e dar uma segunda chance para outra pessoa? Como assim?! Ninguém merece segundas chances, deixa de ser trouxa!

Percebi que, no fundo, ninguém quer ser "trouxa", mas todos querem os "trouxas" por perto. Porque, no fim, os trouxas somos nós, os idealistas. Os autênticos. Os honestos. Os empáticos. Os calmos. Os pacificadores. Os que perdoam. Os esperançosos. Os que confiam. Os obedientes. Os românticos.

Então, com esse texto, te convido a pausar o agito e viver com calma. E nesse novo ritmo, aproveite para ser trouxa.
Abraços!

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I love to travel. I love the sound of the luggage wheels on the floor, the heart beating harder and the buzz of stations or airports. That last point, however, made me think about it some time ago and made me more observant: in a train station, for example, the pace at which we live is very clear. Everyone is in a hurry, at a fast pace, and they seem to be constantly late - even if they are not. Mobile phones in their hands, earphones in their ears. The existence of others is totally ignored - except for the people who walk slowly in front of them. The maximum stopping time at this crazy pace is just enough to buy a cup of coffee. The world becomes a blur as you walk quickly through the rush, isolated in your bubble with the loud music in your ears, your hand firmly holding your bag and your head somewhere else - the problems of work, things to do at home or grocery shopping, perhaps.

I don't exclude myself from this group of people: it seems that the world has left us like this, and that's the natural rhythm of things. Until I realized that this is also the wrong rhythm of living. I began to admire the couples who stop in the middle of the rush for one last hug. I began to notice the scenery around me and to stop more calmly to buy a coffee - no one dies from smiling at the attendant and wishing him a good day back. I started to follow my mother's example and stop to take pictures of flowers, even if I'm on a rush to college. I also decreased the number of photos when I'm in a cool place or event in order to enjoy it - what really matters is the experience, and the photos on the cell phone will never get as good as the reality, right?

Learning to live slower and more intensely is a very nice experience, and sometimes very difficult too: there's always the risk of people thinking you're a stupid person. But I don't care, because I've always found that definition wrong. In fact, I was indignant when being an authentic person became synonymous with being dumb.

Being honest and returning wrong change? Oh, dumb! It was an advantage to have more money...
Be understanding and forgive someone? You're crazy, bro! That was unforgivable, you have to take revenge!
Be loving and give someone else a second chance? What??? Nobody deserves second chances, stop being stupid!

I realized that, deep down, nobody wants to be a "dummy", but everyone wants the "dummies" around. Because, in the end, we are the stupid ones: the idealists. The authentic ones. The honest ones. The empathic. The calm ones. The peacemakers. Those who forgive. The hopeful. Those who trust. The obedient. The romantics.

So, with this text, I invite you to pause the agitation and live calmly. And in this new rhythm, take the opportunity to be stupid.
XOXO



terça-feira, 16 de abril de 2019

Eles também são pessoas

Uma coisa que eu aprendi com a mudança, é de que estamos errados em muitas coisas. Mudar-se é basicamente aceitar que você está errado com frequência e dispôr-se a mudar!

Como você já sabe, eu não passei na prova do KIT em setembro/2018. Depois de uma troca de emails com o pessoal da coordenação que já tinha me ajudado anteriormente, descobri que poderia me increver para uma curso de matemática pré-faculdade: obviamente me inscrevi, e as aulas começaram no meio de outubro/2018. Esse post, entretanto, não é sobre isso.

Vamos ao que interessa:
No segundo dia de aula do curso, conheci a Henna*. Ela entrou na sala e, enquanto escolhia um lugar, sorri para ela, que, após 5 segundos de hesitação, sorriu de volta e escolheu o lugar ao meu lado. Em alguns minutos de conversa eu já percebi que seríamos amigas. Conforme os dias de aula passavam, conversávamos mais e eu descobria detalhes sobre a vida dela: ela veio do Afeganistão, tem uma família maior do que a minha, gosta de ler, fala persa, quer cursar Informática... e foi acolhida pelo governo alemão como refugiada. Quando ela me contou sobe a saída do Afeganistão e vinda para a Alemanha, foi como um soco no estômago. De repente, todas as notícias que eu já vira sobre refugiados na Europa passaram na minha mente, e eu não conseguia acreditar que os terrores que eu ouvi nos jornais brasileiros fossem uma realidade tão perto da minha, vividos pela minha nova e encantadora amiga afegã. Eu não sabia como reagir: não sabia se chorava, se a abraçava, se deveria responder algo ou ficar em silêncio; porque minha cabeça zunia pensando "naqueles refugiados na Europa" que, tantas vezes, eu vira na TV e sentira compaixão, mas que estavam tão longe de mim...

Em uma das vezes que eu contava sobre a Henna para os meus pais, minha mãe falou "nossa, às vezes a gente esquece que são pessoas normais, como a gente, lá nesses países, né?"; e, caramba, como a minha mãe tem razão: presos no nosso mundo, insensíveis às notícias terríveis que vemos todos os dias, esquecemos que o Afeganistão tem pessoas, a Síria tem pessoas, Omã tem pessoas, o Equador tem pessoas, Moçambique tem pessoas, Uganda tem pessoas, Israel tem pessoas, a Palestina tem pessoas...
Enquanto a Henna me contava sobre o seu país e a sua família, tantas vezes parecia que ela falava do meu país e da minha família! Frequentemente eu me pegava dizendo "sério??? No Brasil é igualzinho!", "vocês também? A gente sempre faz isso na minha família!" e sentia-me tão identificada com ela que eu nunca diria que o Brasil e o Afeganistão ficam em lados opostos do globo.

A Henna, porém, foi só uma parte do processo de tirar os óculos da realidade que eu conhecia para conhecer uma totalmente nova.

Em uma das minhas idas e vindas do curso de matemática para casa (quase uma hora de viagem), conheci Lina, uma moça sentada ao meu lado no trem. Ela escrevia concentrada em um caderno, e fiquei observando-a atentamente, ao que ela, meio sem graça, perguntou se eu entendia árabe. "Não,", respondi, "só acho a escrita muito bonita. As palavras parecem desenhos!". Ela riu, e começamos a conversar mais: ela voltava de uma entrevista de emprego em outra cidade; perguntei sobre a área de trabalho. Descobri que ela largou a faculdade de medicina na Síria por causa da guerra para vir à Alemanha, e que ela queria muito na trabalhar na área de turismo aqui. "Meu sonho era ser aeromoça,", disse, um pouco chateada, "mas as companhias aéreas não permitem que eu use o lenço na cabeça"; nesse momento, uma parte do meu coração se partiu: eu não fazia ideia de que muçulmanas não podem ser comissárias de voo! Por fim, ela também me contou que já era casada e com filhos, e conversamos um pouco sobre nossas famílias.
Nesse dia, saí do trem novamente chocada com as diferentes realidades que se encontravam ao meu lado, muito feliz e com as mãos cheirosas - Lina passou um perfume árabe na minha mão para que eu sentisse o cheiro e, sinceramente, o arrependimento de não ter tirado uma foto do vidrinho nunca vai passar! Hahaha

O que dizer então, do super simpático tutor de matemática do curso que virou meu amigo? Omar cursa Informática no KIT e era o responsável pelas "aulas de reforço" de matemática. Começamos a conversar mais, e adivinhem só? Ele também fala árabe (qualquer idioma ocidental vira fichinha perto do que meus novos amigos falam, gente hahaha) e também veio da Síria. A sua família está espalhada em vários países, e ele também me contou sobre a realidade pré- e pós-guerra. É muito difícil pensar que tudo isso (a guerra) ainda é uma realidade em 2019 e que meus bisavós passaram pelas mesmas coisas há alguns anos. É muito difícil pensar que uma pessoa "normal", assim como eu, que gosta de matemática, que teve um bichinho de estimação, que gosta de ler, que visitou a praia, ou qualquer outra coisa que normalmente fizemos ou fazemos na vida, já tenha tido que passar pela realidade da guerra.

Acho que eu poderia escrever um livro sobre o assunto, porque nem falei dos meus outros amigos:
Carlos e David, do Equador, que me fizeram perceber que não conheço nem mesmo a realidade da América do Sul direito! Apesar de eu já ter mais realidades em comum com eles do que com outros - eles sempre me fazem rir com memes e entendem minhas brincadeiras (brincar não é o forte dos alemães...). Ah, claro, o Portunhol também ajuda muito nas conversas quando não sabemos as expressões em alemão!
Berdi, o menino do Turcomenistão, que é sempre gentil e engraçado, além de inteligente. Quando eu pensava no Turcomenistão antes de conhecê-lo, gente? Nunca! Era só "um dos países lá que termina em ÃO" ou o país com T no jogo de Stop. Agora, entretanto, eu sei que as pessoas de lá falam turcomeno, que eles tem comidas que parecem muito boas (hahaha) e que a ditadura lá, infelizmente, está quase tão ruim quanto na Coreia do Norte.
Na minha sala do Studienkolleg também tem gente da Indonésia, Índia, China, Egito, Armênia, Coreia do Sul, Irã, Vietnã...

E assim, querido leitor, a cada dia mais, eu aprendo quanto eu estava errada ao enxergar apenas a minha realidade. A cada dia mais, deixo de ver estereótipos e vejo pessoas, sentimentos, sonhos, sorrisos!
Estudar com tantos estrangeiros é uma realidade incrível, e fico muito feliz de estar nela - no fundo, queria que todo mundo pudesse ter uma experiência assim na vida!


Por fim, para você que faz piadinhas sobre refugiados, muçulmanos, estrangeiros ou "afins": cuidado com o que você fala, principalmente se eu estiver por perto. Se antes eu já achava esse tipo de "brincadeira" uma imensurável falta de noção, agora elas são uma ofensa pessoal aos meus amigos! E ninguém é cruel com os meus amigos, sabe? #ficaadica

*Nome alterado para proteger a história da minha amiga :-)

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English version for my foreign friends (hopefully correct)

One thing I've learned from the moving is that we're wrong about a lot of things. Moving is basically accepting that you are often wrong and being willing to change!

As you already know, I did not pass the KIT exam in September/2018. After an email correspondence with the coordination staff who had already helped me before, I discovered that I could enroll for a pre-college math course: obviously I enrolled, and classes started in the middle of October/2018. This post, however, is not about that.

Let's get to the point:
On the second day of class, I met Henna*. She entered the room and, while she was choosing a place, I smiled at her, who, after 5 seconds of hesitation, smiled back and chose the place beside me. In a few minutes of conversation, I realized that we would be friends. As the class days passed, we talked more and I discovered details about her life: she came from Afghanistan, has a bigger family than mine, likes to read, speaks Persian, wants to study Computer Science... and was welcomed by the German government as a refugee. When she told me about her departure from Afghanistan and her arrival in Germany, it was like a punch in the stomach. Suddenly, all the news I had seen about refugees in Europe passed through my mind, and I could not believe that the terrors I heard in Brazilian newspapers were a reality so close to mine, lived by my new and charming Afghan friend. I didn't know how to react: I didn't know if I cried, if I hugged her, if I should answer something or be silent; because my head buzzed thinking "about those refugees in Europe" who, so often, I had seen on TV and felt compassion, but who were so far away from me...

In one of the times that I told my parents about Henna, my mother said "gee, sometimes we forget that they are normal people, like us, there in those countries, right?"; and, damn, since my mother is right: imprisoned in our world, insensitive to the terrible news we see every day, we forget that Afghanistan has people, Syria has people, Oman has people, Ecuador has people, Mozambique has people, Uganda has people, Israel has people, Palestine has people...

While Henna told me about her country and her family, it often seemed as if she was talking about my country and my family! I often found myself saying, "Really? In Brazil it's the same", "you too? We always do that in my family" and I felt so identified with her that I would never say that Brazil and Afghanistan are on opposite sides of the globe.

Henna, however, was only one part of the process of taking the glasses out of the reality I knew in order to get to know a totally new one.

On one of my trips home from the math course (almost an hour's drive), I met Lina, a girl sitting next to me on the train. She was writing concentrated in a notebook, and I watched her attentively, so she, a little shy, asked if I understood Arabic. "No," I replied, "I just find the writing very beautiful. The words are like drawings". She laughed, and we started talking more: she was coming back from a job interview in another city; I asked about the work area. I found out that she quit medical school in Syria because of the war to come to Germany, and that she really wanted to work in tourism here. "My dream was to be a stewardess," she said, a little upset, "but the airlines won't let me wear my veil"; at that moment, a part of my heart broke: I had no idea that Muslims can't be flight attendants! Finally, she also told me that she was already married and had children, and we talked a little bit about our families.
On that day, I left the train again shocked by the different realities that were beside me, very happy and with perfumed hands - Lina put an Arab perfume on my hand so that I could smell it and, sincerely, the regret of not having taken a picture of the little glass will never pass! Hahaha

And what about the super nice math tutor from the course who became my friend? Omar is a Computer Science student at KIT and was responsible for math tutoring. We started talking more, and guess what? He also speaks Arabic (any Western language becomes very easy close to what my new friends speak, hahaha) and also came from Syria. His family is spread across several countries, and he also told me about the pre- and post-war reality. It is very difficult to think that all this (the war) is still a reality in 2019 and that my great-grandfathers went through the same things a few years ago. It's very hard to think that a "normal" person, like me, who likes math, who had a pet, who likes to read, who visited the beach, or anything else that we normally do in life, has had to go through the reality of war.

I think I could write a book on the subject because I didn't even mention my other friends:

Carlos and David, from Ecuador, who made me realize that I don't even know the reality of South America right! Although I already have more realities in common with them than with others - they always make me laugh with memes and understand my jokes. Ah, of course, Portunhol also helps a lot in conversations when we don't know the expressions in German!

Berdi, the boy from Turkmenistan, who is always kind and funny, as well as intelligent. When I was thinking about Turkmenistan before I met him, people? Never! It was just "one of the countries there that end in AN" or the country with T in the Stop Game (it's a words game in Brazil). Now, however, I know that the people there speak Turkmen, that they have foods that look very good (hahaha) and that the dictatorship there, unfortunately, is almost as bad as in North Korea.
In my Studienkolleg class, there are also people from Indonesia, India, China, Egypt, Armenia, South Korea, Iran, Vietnam...

And so, dear reader, every day more, I learn how wrong I was when I saw only my reality. Every day more, I stop seeing stereotypes and I see people, feelings, dreams, smiles!
Studying with so many foreigners is an incredible reality, and I am very happy to be in it - deep down, I wish everyone could have such an experience in life!


Finally, for you who make jokes about refugees, Muslims, foreigners or alike: be careful what you say, especially if I'm around. If I used to think that kind of "joke" was an immeasurable lack of awareness, now it's a personal offense to my friends! And nobody is cruel to my friends, you know?

*Name changed to protect my friend :-)





sábado, 23 de março de 2019

Mudança - O que ninguém conta

Sim, eu sei que esses títulos normalmente são só para chamar a atenção, mas, nesse caso, quero realmente ser transparente contigo e dizer-te coisas que ninguém tinha me falado sobre mudar de país.


Você vai sentir saudades. 
De verdade. Não a saudade que você sente de casa quando viaja de férias ou a saudade dos seus amigos que moram em outra cidade - acredite, já senti dessas também, e todas são válidas -, mas não é esse tipo de saudade. É tão forte que vira física: você sente o coração doer literalmente, o estômago embrulhar e a garganta fechar; às vezes, parece que alguém arrancou um órgão de dentro do seu corpo pelo tamanho do vazio que você sente. 
Nas primeiras semanas aqui, eu só chorava. Quando desligava as chamadas por Skype com os meus amigos, chorava pela falta que eles faziam; não conseguia ver nenhum vídeo ou foto deles ou da minha igreja; não conseguia falar deles para os meus pais, porque se a minha resposta fosse mais longa do que "estão bem", minha voz falharia e os olhos estariam cheios d'água; não conseguia passar um fim de semana sem chorar pensando que eu poderia estar com meus amigos andando em um shopping ou conversando no culto de jovens da igreja; não olhava nenhuma foto da minha casa no Brasil... Eu nunca tinha sentido nada igual antes, e nunca fui a pessoa que fica chorando de saudades o tempo todo (apesar de senti-la), até a mudança. 
Descobri, agora que estamos completando um semestre longe do Brasil, que a saudade nunca passa, mas a gente aprende a se conformar. A gente ensina nosso próprio coração a lidar com a falta de pessoas, de comidas, de lugares: o vazio continua lá, mas aprendemos a viver com uma parte nossa faltando. E a conformidade vai acalmando nosso coração até que as crises de choro passem de 5 vezes por semana para poucas no mês...

Você vai se sentir incompreendido.
A não ser que você converse com outras pessoas que já mudaram de país, ninguém vai te entender totalmente. Passei por várias crises de "ninguém me entende!", intercaladas com as de saudades - frequentemente eu nem sabia se estava triste ou com raiva (ambos?). 
Não importa quanto seus amigos tentem - não é nem mesmo culpa deles! -, eles não entenderão o que você sente e passa. Mudar de país é uma experiência única e incomparável! Então:
  • se você é a pessoa que se mudou: tenha paciência - você vai achar pessoas que te entendem! E os seus amigos não estão dando conselhos-que-não-se-aplicam de propósito =)
  • se você nunca se mudou, mas tem amigos que se mudaram: por favor, não diga que você entende como é difícil porque já mudou de cidade (eu já mudei de cidade também, e, acredite, é bem diferente) e também não diga que você "não entende porque a pessoa chora de saudades", já que você "nunca foi do tipo que sente saudades" (sendo a sua experiência de saudades uma semana longe dos pais...)
Você também vai se sentir sozinho.
Pelos dois motivos acima, já dá pra entender uma parte desse sentimento. Além disso, muitos amigos vão sumir quando você precisar deles - mudar de país também é uma baita prova de fogo para descobrir quem realmente está com você; e fazer novos amigos no novo lugar onde você está nem sempre é tão rápido quanto esperamos...
Claro, também tem a parte da adaptação, que você vai ver no próximo tópico. Ah, sentimentos e suas crises: sempre um combo, nunca por motivos avulsos!

Prepare-se para alguns micos - e broncas.
Principalmente se você está se mudando para um país como a Alemanha, onde a honestidade e objetividade reinam. Os micos já eram esperados: estrangeiros que não pagam mico não são estrangeiros, certo?!
As broncas, porém, nos chateavam e muitas vezes também eram motivo de choro: de repente, existem regras totalmente novas, das quais nunca tínhamos ouvido falar, um modo de se comportar e de falar diferente, um ritmo de vida diferente. A nossa separação do lixo estava errada (caramba, que país com regra para lixo, sério), o jeito de andar de bicicleta, o jeito de fazer compras, até mesmo o jeito de resolver contas de matemática! E, como eu disse acima, por aqui a honestidade e objetividade reinam: os alemães não hesitam em te dar uma bronca se virem algo errado, não interessa se te conhecem ou não.
A gente acaba acostumando com todas essas patadas e regras dos alemães, mas ainda não descobri quanto tempo morando aqui eu preciso para parar de levar broncas inesperadas, hahaha.

Prepare-se para a dificuldade e tenha com quem contar.
Sim, agora já estou muito mais tranquila e consigo te contar tudo isso calmamente. Entretanto, como você leu, uma mudança é muuuito mais difícil do que parece. Passei, inclusive, por depressão leve nos primeiros meses aqui - o desânimo pelo peso da situação era tão grande que a vontade de acordar era a cada dia menor (enquanto você está dormindo, não está chorando, nem sentindo saudades, nem decepcionada com quem sumiu, nem lembrando que não passou na prova de primeira, certo?); e, acredite, isso é muito normal entre as pessoas que se mudam! 
Por isso, encontre pessoas de apoio, que vão te animar, te dar dicas práticas de como sair dessa ou simplesmente vão ouvir seus desabafos. Frequentemente, você vai precisar de pessoas que sejam suas muletas, até que sua força para ficar em pé volte completamente =)
Se você não tem ninguém com quem contar, pode me escrever também, que estou sempre disponível para ouvir: gabrielleheinrichs@gmail.com

Por fim, ficam os meus agradecimentos a todos os amigos maravilhosos que me ajudaram quando precisei e que não sumiram quando me mudei. Vocês são demais, e definitivamente tem um lugar especial no meu coração! 

Para você que já se mudou: parabéns, guerreiro! Você com certeza tem uma história incrível para contar - meu email está aberto para ela também, amaria te ouvir.

Para você que quer se mudar: coragem! Você vai precisar. E não desista dos seus sonhos - as melhores coisas são difíceis de alcançar =D

Os próximos posts serão recheados de alegria e honestidade também - não desanima, não! O objetivo do post não era ser negativo, apenas realista, hahaha.
Abraçosss



domingo, 17 de fevereiro de 2019

Mudança - Segunda semana

Ainda passaria o domingo e a segunda sozinha no apartamento vazio.
No domingo, acordei cedinho e fui à padaria - tinha esquecido que nada abre aos domingos na Alemanha (exceto as padarias, durante algumas horinhas...). Consequentemente, percebi que o meu almoço seria pão, já que eu só tinha comprado o meu almoço de sábado (cup noodles, que comi com uma colher de chá porque também não comprei garfo!). Na hora certa, a tia Lu me mandou uma mensagem perguntando se eu gostaria de almoçar com ela (obrigada, tia Lu!). Então, pude comer arroz, salada e camarões com molho de tomate <3
Além disso, ela me emprestou duas luminárias, o que significou uma noite de domingo com mais luz do que a lanterna do celular pode fornecer!
Durante a tarde, a Julia, uma das amigas que fiz no intercâmbio em 2014, veio até o apartamento e pude passar um tempo conversando com ela, além de podermos comer os lanchinhos que eu tinha - pãezinhos e frutas, hahaha.

Na segunda, decidi limpar o apartamento inteiro mais uma vez (com o belo canteiro de obras em tudo em volta do prédio, era impossível evitar a poeira). Fui ao mercado de novo - precisava de produtos de limpeza e mais comida, claro! Sem geladeira, não conseguia comprar coisas para mais de dois dias de cada vez.
Comecei a pegar as coisas: panos, limpa vidros, limpa piso, produto para banheiro... e aí a minha cestinha já estava pesada demais para eu aguentar levar tudo pra casa. "Ok,", pensei, "o que a Mami faria?". Tirei os 5 produtos de limpeza diferentes de dentro da cesta e troquei por um só: vinagre.
#ficaadica tudo na vida você pode limpar com vinagre e detergente!
Como eu já tinha esponjas e o detergente, só precisava do vinagre e dos panos. Para dar um charme, comprei um perfume para tecidos - para as cobertas, colchões e toalhas novos - e um cheirinho (não sei como chama!) pra deixar no banheiro. Queria que o apartamento estivesse brilhando quando os meus pais e irmãos chegassem!
Voltei e arrumei tudo. Descobri, inclusive, quanto maravilhoso é limpar um apartamento vazio! Sem móveis fica tudo mais fácil e rápido. Perfumei os colchões e deixei os banheiros brilhando também.
A desvantagem de a limpeza ser relativamente fácil, é que o dia pareceu se arrastar: a ansiedade bateu forte, tanto pela chegada da minha família, quanto pela prova que eu teria no dia seguinte de manhã.

Tentei continuar me distraindo fazendo coisas aleatórias, organizando as poucas coisas que tinha, conversando com amigos... Finalmente, às 20h, minha família chegou! Eu nunca tinha sentido tanta saudade em uma semana só. Na semana que passei sozinha, minha alegria e consolo era tomar banho e usar a toalha que a Mami colocara na minha mala: tinha cheirinho de casa <3
Apesar de ter sido uma semana difícil para mim, também aprendi muitas coisas e percebi quanto eu já sei me virar sozinha; mas isso eu conto melhor em outro post :)
Depois da chegada dos meus eternos companheiros de aventuras, eles deram uma olhada no apto, fomos comer e passamos a noite em um hotel - o apartamento só estava equipado para mim, hahaha.
E, como ninguém precisa descansar depois do voo de 12 horas, correria com malas e fortes emoções, acordamos às 6h na terça para irmos a Karlsruhe! Eu teria minha prova lá de manhã.
Chegamos no KIT, e, enquanto eu fazia a prova, minha família foi comprar coisas que precisaríamos no apartamento.
Na terça de noite, já dormimos todos no apartamento, um pouco mais equipados, mas ainda sem móveis, hahaha.

Mais detalhes e fotos de como nosso apartamento foi de vazio para mobiliado e decorado você vê em um dos próximos posts!

Para quem ficou curioso e/ou ainda não sabia: eu não passei na prova de faculdade em setembro. Embora eu tenha chorado bastante naquela semana, sei que Deus sempre tem os melhores planos, e Ele definitivamente sempre acerta nas Suas decisões! Tudo que aconteceu e tudo que aprendi nas semanas seguintes você vai ficar sabendo por aqui :D

Beijos!



Esse tinha sido o almoço de sábado. Valorizem os talheres que vocês têm, galera! Hahaha

A luminária que a tia Lu me emprestou no domingo. Eu tinha luz para o domingo e a segunda, uhul!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Mudança - Primeiros dias

Como você já leu no post anterior, viajei sozinha, uma semana antes dos meus pais.
A Felicitas foi me encontrar em Frankfurt e viajamos de trem até Offenburg, onde a mãe dela foi nos encontrar. A presença da Feli foi mais que bem-vinda porque
1) não precisei andar pelo aeroporto enorme sozinha;
2) tinha mais alguém para levar as malas - cada uma levou uma;
3) encontrei minha amiga!
Fomos até a casa dela, em uma "vila" perto de Offenburg, comi e tentei descansar.
O primeiro dia (o que cheguei, quarta, e o seguinte), foram péssimos devido ao fuso horário de 5 horas. Fiquei acordando de madrugada, tinha muito sono na hora do almoço e ficava acordada de noite.
Na sexta, já estava me sentindo bem melhor e decidi ir com a Feli ao apartamento da minha família, no centro de Offenburg.
De manhã, comprei toalhas e cobertas (me senti A adulta que mora sozinha). Depois almoçamos e fomos ao apartamento, onde o dono já me deu as chaves. Tia Lu me emprestou produtos de limpeza, então eu e Feli passamos a tarde fazendo faxina no apartamento vazio! Meu pai também tinha pedido um colchão pela Amazon, então deixei o colchão descansando: ele vinha enrolado a vácuo, então precisava ficar "se espreguiçando" por 24 horas, hahaha.
A sexta-feira já estava com um clima estranho o dia todo, ora com garoa, ora com um sol fraco. Óbvio que, assim que Feli e eu demos três passos para fora do apartamento, a chuva decidiu vir com tudo! Tivemos que andar quase um quilômetro na chuva até o ponto de ônibus. Voltamos para a casa dela encharcadas, e rindo, claro.
Sábado, por uma mudança de planos que fiz com os meus pais, fui ao apartamento para ficar lá. Uma amiga da família me deu carona (sem condições de pegar ônibus com duas malas que eu não conseguia carregar sozinha) da casa da Feli até o apartamento. Cheguei lá, deixei as malas, peguei a mochila e saí: precisava fazer compras!
Fui até o centro e passeei por algumas lojas, resolvendo coisinhas. Em seguida, almocei, atenção: pão com linguiça de uma barraquinha! Isso mesmo, senhoras e senhores, eu comprei almoço em uma barraquinha na rua!
*Quem me conhece vai entender a dimensão do absurdo que isso significa para mim, hahaha.
*Pão com linguiça é a versão alemã de cachorro-quente.
Continuando, fui até a loja da Telekom, a empresa que forneceria a internet para o nosso prédio. Conversa vai, conversa vem, por falta de alguns dados o vendedor não podia fechar o contrato comigo ainda, e demoraríamos a ter Wi-Fi no apartamento. Pensando no pesadelo de usar o 3G-câmera-lenta do chip da Memomad e no meu celular que estava com o chip inativo (o chip alemão não começava a funcionar instantaneamente), soltei um "tá bom, a Wifi pode demorar, mas eu preciso de internet agora. Que opções você tem?", o vendedor, rindo, disse que precisava ver e foi para os fundos da loja. Voltou com uma caixinha na mão e explicou que eles tinham um "mini roteador" que funcionava com chip, e tinha 30 MB de internet. Aceitei na hora! Afinal, Wi-Fi é uma necessidade básica, hahaha.
Por último, precisava ir ao mercado. Comprei frutas, pão, manteiga, Nescafé, leite, xícara, faca, colher... tentei pensar em tudo que eu precisaria e que aguentaria fora da geladeira, pois a mobília do apartamento contava apenas com um colchão e um micro-ondas!
*O micro-ondas tínhamos comprado na viagem em dezembro e deixado numa mala que ficou com a tia Lu.
Andando pelas lojas, mercados (fui até num posto!) descobri uma coisa absurda: nenhuma das empresas citadas ali vendia luminárias ou lanternas! Nem mesmo daquelas pequenas...
Pois bem, eu já não aguentava mais andar, decidi ir para casa. Em um caminho de 800m do mercado até o apartamento, descobri 20 jeitos diferentes de carregar sacolas grandes e pesadas, hahaha. A felicidade do dia foi chegar ao apartamento, tirar os tênis e sentar no chão do corredor vazio para comer o picolé já meio derretido que eu comprara. Percebi, de verdade, que nossas noções de felicidade mudam a cada dia e que os momentos realmente valorosos e inesquecíveis são esses flashes de cinco minutos!
Por fim, organizei as coisas que comprara, lavei as louças e as frutas na pia do banheiro, arrumei meu colchão, tomei banho, jantei meu pão com manteiga e aproveitei o resto da noite com o silêncio inacreditável de um apartamento vazio e a lanterna do meu celular.
Os outros dias, dessa loucura que foi a chegada aqui, eu te conto como foram no próximo post!
Bye <3


*Caso você não tenha visto meus stories no Insta, também fiz videozinhos daqui quando cheguei! Vem ver: https://youtu.be/pwaPHAhrCN8


Registro de um momento de felicidade (o picolé já tinha acabado)

Minha companhia pelos primeiros dias - muitas coisas de construção!

O almoço "exótico"

Modem fofinho que me conectou com o mundo de novo, depois da chegada aqui!

Usual carinha de choro de despedidas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Mudança - Toda história tem um contexto!

Então, eu e minha família mudamos para a Alemanha!
Embora meu pai mantenha um pé no Brasil, viajando para lá uns dias por mês :-D

*Por que decidimos mudar?

Desde que eu fiz meu intercâmbio em 2014 (que você pode ler inteirinho aqui no blog), apaixonei-me por esse país do idioma difícil e das rodovias sem limites de velocidade. Mesmo não achando as duas qualidades citadas as melhores daqui, é como a Alemanha é conhecida no Brasil...
Comecei a pesquisar sobre as faculdades e os processos de admissão incessantemente, li todos os blogs e páginas possíveis, procurei contatos que pudessem me dar mais informações, etc. Decorei, de trás pra frente, quais eram os documentos e burocracias que eu precisava e, além disso, descobri a universidade dos meus sonhos, pertinho de Offenburg (onde estavam minhas amigas): KIT - Karlsruher Institut of Technology. Uma das melhores universidades de tecnologia da Alemanha, focada principalmente em cursos de informática e engenharia - vocês não acharam mesmo que eu escolheria uma universidade fácil, acharam? Hahaha!
Eu já estava decidida a me mudar para estudar, minha família querendo vir junto ou não. Já estava, inclusive, preparando-me psicologicamente para morar sozinha!

E é aí que entra o detalhe inusitado: com a economia no Brasil descendo a ladeira a partir de 2015, meus pais começaram o negócio alemão, a Memomad, em 2016, para dar uma força nos negócios brasileiros. A Memomad importa os móveis da MMM para a Alemanha e vende-os para toda a Europa! Para a nossa alegria (porque eu sou funcionária da Memomad, trabalhando junto com a minha mãe), a empresa foi super bem e só melhorou desde 2016.
Nesses dois anos, meus pais coordenaram a Memomad à distância e sozinhos! (Eu só comecei a ajudá-los em abril/18, porque preferi focar no meu terceirão primeiro). Então, no ano passado, eles decidiram fazer o test-drive de morar aqui: passamos três meses em um apartamento "de temporada" alugado, trabalhando e tentando aprender mais sobre o jeito europeu de viver - você pode ler todas as aventuras aqui no blog também.
Percebi que meus pais também tinham se encantado pelo jeitinho do sul da Alemanha, mas acabava aí. Depois da nossa volta, meu pai até procurou apartamentos por aqui, mas os esquemas de aluguel eram bem mais complicados do que os brasileiros, além de que nenhum alemão queria alugar um imóvel para uma família brasileira...
Papi e Mami já tinham desistido da busca por apartamentos quando receberam a ligação do dono de um dos apartamentos que meu pai tinha mostrado interesse: ele queria alugar pra gente! (A história tem bem mais detalhes, mas isso é um post e não um livro - você pode marcar um café conosco e ouvir a história toda também).

Cheios de frio na barriga, começamos a levar os planos a sério e fazer malas... era hora de nos prepararmos para sair de terras tropicais.

*Como foi a viagem?

Na verdade, as viagens. Eu tinha uma prova no KIT dia 4 de setembro, mas, por algum motivo que não lembro (condições das milhas? Promoções? Compromissos?), meu pai comprou passagens para a minha família com data de 2 de setembro, chegando aqui dia 3. Concluímos que eu não poderia chegar em cima da hora de uma prova tão importante (minha admissão estava em jogo!), por isso, meu voo era uma semana antes. Saí do Brasil com olhos marejados dia 28 de agosto de 2018 e cheguei em Frankfurt dia 29.
Nos poucos dias antes de rever meus pais, eu ficaria na casa da Felicitas, minha amiga, já que não seria bom eu ficar sozinha em um apartamento vazio ;-)

Chegamos todos bem aqui. E agora que você já sabe o contexto, está preparado para todos os próximos posts que farei!
Ainda tem perguntas? Fique à vontade para falar comigo sempre.

PS. A universidade fala-se "K", "I", "T", não "kit" (por favor! Hahaha).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Diário de Viagem - Fim!

De Berlin, fomos para Frankfurt, onde teríamos mais um dia e uma noite e meia. Explico: chegamos em Frankfurt um dia de noite, dormimos, passamos o dia seguinte inteiro lá e dormimos umas horinhas, porque tínhamos que acordar antes das 4h da manhã.
Como uma parte das nossas malas tinha ficado em Offenburg, no dia seguinte ao que chegamos, meus pais foram para lá buscar nossas malas. Imaginei logo de cara que passar um dia todo sozinha com os meus irmãos no aeroporto seria um tédio (ficamos no hotel do aeroporto para termos aquela meia noite de sono que escrevi acima). Afinal, o que tem para fazer em um aeroporto?
Descobri rapidamente que eu estava errada. Tomamos café do Starbucks de manhã, aproveitamos a Wifi do quarto, almoçamos em uma mercado que tinha buffet, andamos pelas lojas, ouvimos pessoas de todos os lugares do mundo falando todas as línguas do mundo.
Percebi que o aeroporto de Frankfurt era muito mais divertido do que um shopping! Além de ser lindo e enorme - eu, Cris e Timmy nem aguentamos andar por tudo - tem pessoas diversas, e simplesmente sentar em um banco e observar o movimento pode se tornar algo divertido.
No fim da tarde, meus pais estavam de volta e terminamos de arrumar nossas coisas. Na madrugada seguinte, teríamos uma corrida contra o tempo.

Posição, atenção, valendo: tocava nosso despertador às 3h da manhã. Eu e Timmy, os atletas do Triatlo, corremos até a área de pegar carrinhos para malas, uns 500 metros do hotel; enquanto nossos companheiros de equipe colocavam todas as bagagens prontas no elevador e faziam check-out. Voltamos em ritmo de trote com nossos carrinhos e nossa equipe já estava pronta. A segunda parte da nossa prova era chegar rápido à área de embarque: a equipe -18 era responsável por correr com os carrinhos de malas para chegarmos a tempo no guichê de despachar malas; a equipe +18 chegaria em seguida com as malas de mão e documentos.
Despachar malas: conseguimos!
Fazer check-in no horário: conseguimos!
Preencher as notas para receber os impostos de volta (fica a dica se vc está fazendo uma viagem internacional e comprou várias coisas): conseguimos!
Agora só faltava ir rapidinho até o avião. Conseguimos também!
Parece tudo drama? Parece, sim; mas eu não menti quando disse que o aeroporto é enorme! Duas horas lá dentro parecem cinco minutos, e você pode perder o horário do seu avião ou trem rapidinho, se bobear ;-)
Às 6h da manhã, estávamos decolando. Fizemos uma escala em Lisboa para comer uns pastéis de Belém no aeroporto e ouvir o (super fofo) sotaque português. De noite, chegamos em terras brasileiras para mais uma aventura: pegar as malas em Guarulhos e redespachá-las para Curitiba, correndo contra o tempo (e contra o calor, pois chegamos agasalhados em plenos 30°C, minha gente!). Porque, além de termos que pegar as malas e esperar na fila para despacharmos de novo, tínhamos que chegar a tempo no Terminal 1 de Guarulhos: o "puxadinho" do aeroporto que leva 15 minutos de ônibus dos outros dois terminais (êêê, Brasil).
Despachamos as malas e corremos até o ônibus que estava passando (detalhe: os ônibus para o Terminal 1 passam de 15 em 15 minutos!). Conseguimos pegar aquele e chegamos na área de embarque com uns minutinhos de sobra.
Acha que acabou? Quando chegamos em Curitiba, fomos pegar nossas malas (só 10...). Espera. Esteira lenta. Todos os passageiros do voo, menos 2 e nós, já tinham ido embora. Passam 10 minutos. A esteira para. Nós e os outros dois continuamos de mãos vazias. E aí, Azul?
Tinham "esquecido" de colocar nossas malas no avião em São Paulo. O que eu já estava achando ruim, o meu pai achou uma maravilha: não teríamos malas para colocar no carro, elas iriam direto para a nossa casa!
Ficou pior para a moça que estava sem a mala também: era estrangeira e todos os pertences estavam na mala, que só chegaria no dia seguinte ou 2 dias depois.
Cansados, mas felizes, encontramos nossos avós em Curitiba e, depois de muitos abraços, fomos para casa.
São Bento do Sul, casa, cama: alívio!

E esse foi o fim cheio de emoções da nossa viagem, que agora está completando um ano da ida.
Para quem diz que não faço esportes, queria deixar escrito que já fiz maratona de aeroporto, hahaha.
E para quem leu tudo: meus sinceros agradecimentos pela sua paciência com essa escritora sumida e posts esporádicos e pelo seu apoio lendo o meu blog. Você é demais e Jesus te ama <3
Abraços com muito amor,
Gabi H.

Fotos de fora, chegando ao aeroporto


Fotos aleatórias do hotel


Maquete do aeroporto


Mais um pouquinho desse aeroporto lindo <3